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Começa o plantio de trigo no Rio Grande do Sul

POR ADRIANE RODRIGUES/ASSESSORIA DE IMPRENSA DA EMATER/RS

Início do plantio de trigo no município de Victor Graeff, no norte do Estado – Foto: Imagens/Emater-RS

O cultivo do trigo iniciou nas regiões de Frederico Westphalen, Santa Maria, Santa Rosa, Soledade, Ijuí e Bagé. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na ultima quinta-feira (04/06), em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na região administrativa de Frederico Westphalen as áreas já semeadas estão em germinação e desenvolvimento vegetativo.

O plantio se intensificará na primeira quinzena de junho e a expectativa é de aumento de 15% da área de cultivo em relação à safra passada. Na região de Santa Maria, os produtores estão confiantes em uma primavera com menos chuva e numa cotação atrativa para o preço do cereal.

Na regional de Santa Rosa, o plantio já atinge 80,7 mil hectares e as lavouras semeadas estão com boa e uniforme germinação, com bom estande. A produtividade média esperada é de 3.070 quilos por hectare. Na de Soledade, as áreas estão em início de semeadura, favorecida pelo retorno das condições de umidade do solo com as precipitações ocorridas na semana, contribuindo para a boa germinação.

Na região administrativa da Emater de Ijuí, o plantio avançou para 30 mil hectares. As lavouras implantadas apresentam germinação rápida, com estabelecimento inicial satisfatório, conferindo uma boa formação das lavouras. Na de Bagé, na Fronteira Oeste e Campanha, a semeadura foi intensificada devido às adequadas condições do tempo e de umidade do solo, com expectativa de incremento de área.

Nas regionais da Emater de Caxias do Sul, Erechim e Passo Fundo, segue intenso o preparo das áreas para o cultivo do trigo. Em Caxias do Sul, a semeadura inicia em junho, com maior concentração em julho; a perspectiva é de acréscimo de 20% da área plantada em relação à da safra passada, principalmente nas cidades de Muitos Capões, Vacaria e Esmeralda, que juntos correspondem a 81% da área da região.

Em Erechim, os produtores preparam as áreas e adquirem os insumos para o plantio. Há previsão de aumento de área diante da expectativa de preços favoráveis e de uma busca por compensar as perdas ocorridas com as culturas de verão. Em Passo Fundo, os produtores se organizam para o plantio no período que vai de 10 de junho a 10 de julho, com previsão de aumento de 30% na área de plantio em relação a 2019.

Outras culturas

Canola

Nas regionais da Emater de Ijuí e Santa Rosa, é intenso o ritmo de plantio da cultura da canola. Na de Ijuí, os cultivos foram totalmente implantados, com as lavouras apresentando boa emergência, uniformidade de plantas e boa densidade. Diante das condições satisfatórias de umidade no solo, na regional de Santa Rosa, a semeadura das lavouras avançou durante o início da semana e já alcança 10.450 hectares. As lavouras se encontram com germinação uniforme e muito bom aspecto.

Cevada

Na cevada, iniciaram os plantios nas regionais de Erechim e de Ijuí. Na de Erechim, há expectativa de manter a área plantada em 2019. Na de Ijuí, já foram implantados durante a semana 1.460 hectares. A emergência ainda não iniciou na cultura.

Aveia branca

Na regional da Emater de Ijuí, durante a semana a semeadura foi intensificada, aproveitando o período recomendado pelo zoneamento de risco climático para a região, encerrado em 31 de maio. Nos próximos dias, os produtores finalizam a implantação de algumas áreas. As lavouras implantadas apresentam boa emergência, uniformidade e rápido desenvolvimento inicial. Em Santo Augusto, com tradição no cultivo da aveia branca, a semeadura foi realizada mais cedo, e as plantas iniciam o estágio reprodutivo com o alongamento do colmo e o surgimento das primeiras panículas.

Olerícolas e frutícolas

Alho

Na regional de Caxias do Sul, iniciou o plantio da nova safra de alho, que deve se estender durante o mês de junho, sendo intensificado em julho nas lavouras dos Campos de Cima da Serra. Embora a safra 2019-2020 que está sendo concluída não tenha atingido produtividade potencial e esperada por interferência das condições climáticas, a comercialização dos bulbos apresentou valoração acima dos patamares previstos, sendo altamente remuneradora. Tal fato vem assegurando uma atmosfera de bastante entusiasmo entre os alhicultores. Duas consequências naturais e imediatas decorrem desse panorama: o nível tecnológico das lavouras deverá alcançar o auge, e a intenção da área de plantio deverá ser maior.

Cebola

Na regional de Passo Fundo, os produtores intensificaram o preparo do solo e já iniciaram tanto o transplante de mudas quanto o plantio e/ou a semeadura em local definitivo. Há tendência de pequeno aumento da área a ser cultivada. Na regional de Pelotas, a semeadura da cebola para produção de mudas atingiu 90% da área prevista de 2.350 hectares. Em Tavares, Rio Grande e São José do Norte, ainda há produto. O preço da cebola tipo 3 está entre R$ 3,00 e R$ 3,50/kg.

Citros

Na regional de Lajeado, o retorno da umidade no solo trouxe alento aos citricultores do Vale do Caí. A chuva não recupera os prejuízos causados nas cultivares precoces de bergamoteiras e laranjeiras, mas ameniza as perdas nas cultivares tardias, como a bergamota Montenegrina, fruta cítrica com a maior área de cultivo na região. Com o maior volume de bergamota da cultivar Caí entrando no mercado, o preço que bateu os R$ 45,00/cx. de 25 quilos no início da colheita, em meados de maio, agora está para o citricultor em média a R$ 35,00/cx. O volume da Caí colhido até o momento é 10%. A bergamota Poncã está em início de colheita, atrasada em função da estiagem. O preço também está reduzindo pelo aumento da oferta no mercado, numa média de R$ 28,00/cx. de 25 quilos.

Os prejuízos causados pela estiagem já consolidados são estimados em 50% da produção das frutas precoces. Na grande maioria dos pomares, ocorreram queda de frutos, frutos não desenvolvidos, rachados e a morte de plantas. A perda maior é em relação à qualidade dos frutos. Em anos anteriores, se obtinha frutos extra ou seleção; neste ano, praticamente 10% a 25% enquadram-se como frutos de primeira e o restante, como fruta para suco. No caso da bergamota Montenegrina, a maior área de cultivo e produção de frutas, as perdas ainda não estão consolidadas por ser uma cultivar tardia, cujas frutas ainda estão em crescimento. Entretanto, a perda em virtude de frutas rachadas já é visível e representa atualmente 5% do total, por enquanto inferior à expectativa que havia antes das últimas chuvas.

Pinhão

O pinhão é um alimento rico em calorias e contém minerais como cobre, zinco, manganês, ferro, magnésio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre e sódio. Além disso, são encontrados ácidos graxos linoleico (ômega 6) e oleico (ômega 9). Na regional de Caxias do Sul, segue a colheita; pinhas e pinhões apresentam boa qualidade e sanidade. Há relatos de alguns coletores sobre a ocorrência de pinhas com maior proporção de falhas do que em safras normais e também de pinhas secas, que não completaram o seu desenvolvimento.

Parte das árvores apresenta pinhas maduras em fase de debulha ou já debulhadas, e parte está em final de maturação. Já na regional de Passo Fundo, as chuvas contínuas no período de polinização e a estiagem no desenvolvimento do fruto (pinha) e da semente (pinhão) implicaram na redução de tamanho e na formação imperfeita da amêndoa amilácea, a parte comestível. Nesta regional, os preços pagos ao produtor variam de R$ 4,00 a R$ 6,00/kg. No atacado, o pinhão é vendido a valores entre R$ 8,00 e R$ 10,00/kg; no mercado, de R$ 12,00 a R$ 14,90/kg.

Pastagens e criações

Nas diversas regiões do Rio Grande do Sul, as pastagens cultivadas de inverno estão se desenvolvendo com mais intensidade, mas ainda não oferecem condições de pastejo na maior parte das áreas, em virtude de terem sofrido considerável atraso em sua implantação. Os campos nativos, que costumam ter seu crescimento mais ativo com temperaturas mais elevadas, sofreram em demasia com o período de estiagem e, embora tenham rebrotado parcialmente após as últimas chuvas, não propiciam boa oferta de forragem na maior parte das áreas.

Com isso, vai se caracterizando um severo e prolongado vazio forrageiro neste outono. Nos poucos locais em que foi possível fazer o plantio em março e abril e nos quais a estiagem foi menos severa, está sendo possível disponibilizar as pastagens cultivadas de inverno para pastoreio com o manejo adequado, amenizando os efeitos do vazio forrageiro nesses locais.

Bovinocultura de corte

Na maior parte das áreas de criação de bovinos de corte do Estado, o gado apresenta escore corporal abaixo do normal para a estação. As chuvas ocorridas foram insuficientes para recuperar os níveis de água dos bebedouros. Nas regiões de Santa Maria e Porto Alegre, além da perda de peso dos rebanhos, continuam sendo relatados casos de redução da taxa de prenhez das matrizes.

Piscicultura

Em função da ocorrência de chuvas, continua aumentando o nível de água dos viveiros em todo o Estado. Boa parte dos açudes onde havia sido realizada a despesca está sendo repovoada com alevinos. Em alguns açudes ainda não repovoados e com níveis baixos de água, vêm sendo realizados procedimentos de manutenção, como reparos nas taipas e aplicação de calcário para correção da acidez. Nos açudes povoados, o manejo alimentar dos peixes é realizado para diminuir as quantidades de suplementação, uma vez que com temperaturas mais baixas o consumo de alimentos diminui.

Pesca Artesanal

O período de defeso na Lagoa dos Patos começou em primeiro de junho e se estenderá até 31 de janeiro de 2021. Na região da Emater de Porto Alegre, na atividade de pesca artesanal, a espécie mais capturada durante a semana foi a tainha. No estuário do rio Tramandaí, houve boa captura de camarão. Na região de Pelotas, em Jaguarão, o baixo nível das águas da Lagoa Mirim dificultou a movimentação e o atraque de barcos, mas ainda assim os pescadores realizaram uma boa captura de peixes durante a semana.

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